Redondo "Terra Linda"



REDONDO
Redondo é uma bela terra alentejana.
A ORIGEM DO NOME:
“Está situado em um mediano e ordinário monte por cuja ladeira abaixo vistosamente se estende para as partes do sul e poente; foi este monte sempre celebrado pela circunstância do Penedo Redondo, Que no mesmo monte se acha e de que esta vila tomou o nome. Deste modo senão vê hoje mais que uma parte por esta formada sobre ele uma pequena torre das sete que tem o Castelo”. (Arqueólo Português – 1901).
Parece que a povoação de Redondo já existia no tempo dos romanos (...) D. Dinis cônscio da importância da situação da terra e preocupado com a obra de defesa do país, que o levou a fazer construir ou reparar, na fronteira com a Espanha, a linha de castelos Marvão, Portalegre, Alegrete, Monforte, Elvas, Vila Viçosa, Juromenha, Monsaraz, Mourão e Moura, e no interior tantos outros, não esqueceu o Redondo e em 1319 (era de César de 1357) fez levantar o actual castelo num outeiro, onde diz a tradição existiu o penedo redondo que deu o nome à vila”. (António de Souto Maior – 1929).
“É atraente, bem que por vezes difícil, a investigação das origens dos nomes de povoações portuguesas, visto que a toponímia nacional é muito rica e variada em denominações derivadas de raízes tão diversas, por vezes obscuras, provenientes do romano peninsular, do fenício, do árabe, do grego, do cartaginês, do celta, do latim medieval, etc. . Redondo tem o étimo bem definido. D adjectivo latino rotundus, a, um, pela lei geral do us nominativo ou do um acusativo se transformar sem esforço de maior em o pela lei de transformação fonética também natural e por isso geral do abrandamento, quando não queda da consoante intervocálica, essa voz latina deu Redondo, forma que na boca do povo, por um processo regressivo e inverso ao da desassimilação anterior que o prova e o explica readquire muitas vezes a pronunciação redondo quer no adjectivo quer no nome próprio dessa laboriosa vila alentejana. É simples e corrente, pois, a transformação que deu em nossos dias o nome Redondo derivado do latim rotundus , palavra que aliás se conserva na língua portuguesa, mais próxima, porém da origem latina, em rotundo como rotunda, substantivo comum, o lugar redondo, transformado em próprio na toponímia urbana (como exemplo: várias Rotundas da cidade de Lisboa), e que o povo teima em designar por esse nome breve, eufórico e nobre em que pese aos editais de vereadores que teimam em ensinar ao povo a história pátria, quase banida do ensino escolar, por meio de letreiros pintados nos cunhais dos prédios urbanos ! Isto sabe-o muita gente, sabe-o talvez a totalidade dos naturais do Redondo. O que talvez não saibam, porém, é que no Baixo Alentejo há outra vila também importante e antiga, que tem o mesmo nome, mas derivado do árabe: “Almodôvar”. Almodôvar diz em árabe, exactamente, o que nós dizemos com o vocábulo latino rotundos, isto é, redondo !. Almodôvar é palavra árabe, representando aqui o u um carácter que no alfabeto respectivo indica um som gutural para que o nosso alfabeto latino não tem letra, que nos é muito difícil de pronunciar e que os peninsulares falavam o árabe simplificaram na província e acomodaram na escrita por meio do v. Note-se que esta palavra Almodôvar (redondo), como o seu verbo doutra, endoura (arredondarei, arredondo), como o seu adjectivo Almodauer (o que arredonda) são do árabe puro, não do dialectral, ou do mestiço árabe peninsular. Assim temos no Alentejo dois Redondos. O do nome romana mais ao norte, o de nome árabe mais ao sul. Cremos que os naturais terão totalmente expungido do coração a gentilidade dos romanos e os da outra todas as expressões ignóbeis dos sectários de Mafamede e que uns e outros serão, ao contrário, muito bons cristãos, os do sul fabricando o seu azeite e os do norte as grandes talhas de barro para o armazenar”. (Dr. Domingos Vaz Madeira “Ilustração Alentejana” – 1929).
A região de Redondo é habitada desde remotas eras, recebeu o primeiro foral de D. Afonso lll, em 1250, confirmado em 1318 por D. Dinis. D. João 1 concedeu-lhe privilégios, estabelecendo uma cláusula que obrigava a passagem por Redondo a todos os que se dirigissem de Vila Viçosa para o Alandroal e vice-versa, o que muito contribuiu para o seu desenvolvimento. D. Manuel l autorgou-lhe foral novo em 1516.
“Tem-se dito que a denominação actual provém de um enorme rochedo arredondado, que havia no local onde depois se construiu a Igreja da Misericórdia, e que seria alguma anta ou outro monumento pré-histórico. De qualquer modo, o nome desta actual vila alentejana filia-se no nome comum redondo, do latim rotundu -, através do português arcaico rodondo e com a posterior dissimilação do primeiro “o” em “e”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Redondo é uma vila onde tradicionalmente se produz artesanato procurado pelos turismo. Mesmo assim, há falta de aprendizes que continuem essas artes. Fabricam-se ainda utensílios de pele, de ferro pintado e outros materiais, mas o que mais se produz são peças de mobiliário e louça de barro pintada ou utilitária. Fabricam-se em Redondo duas espécies de pratos pintados: os tradicionais, com fundos claros e motivos diversos (flores, animais, cenas da vida rural) e os fundo vermelho ou negro, com ramos de flores pintados a tinta de óleo. Estes últimos são recentes e destinam-se apenas a fins decorativos. Os tradicionais podem ser utilizados como louça funcional. Os motivos são decalcados com o barro ainda relativamente fresco e pintados em seguida com anilinas, após o que os pratos são cozidos e vidrados. Os temas florais usados na louça e no mobiliário são muito antigos. Os artesãos dizem que “foram deixados pelos Mouros”, mas cada um dá às formas a sua interpretação pessoal. Uma oficina de mobiliário depende de trabalhadores de vários ofícios. Os móveis são feitos por carpinteiros e depois as cadeiras são empalhadas por outro artista. Passam seguidamente para a mão do pintor, que começa por os cobrir com aparelho de tinta de óleo. Pinta-os depois com esmalte de cor lisa, e só quando este seca os decorar com ramos e flores.A mobília de quarto completa consta de cama, duas mesas-de-cabeceira, guarda-fato, cómoda ou escrivaninha, caixilho para espelho e uma cadeira com assento de buinho. Fazem-se também cadeiras, arcas e baús de diferentes tamanhos, que se vendem separadamente. O artesanato encontrou no Alentejo condições óptimas para se implantar. A solidão real da vida deste povo desenvolveu-lhe a sensibilidade. Vivendo nos campos, isolados dos centros de consumo e dispondo de poucos recursos económicos, o homem viu-se na necessidade de fabricar os seus próprios utensílios. O gosto pela beleza e a abundância de tempo livre levou-o a decorar esses objectos com arte, amor e paciência. Na zona de Redondo existe bom vinho de mesa, sendo o mais conhecida “Porta da Ravessa”. Esta província portuguesa tem belíssimos vinhos. A imensidão de horizontes planos, ou quase planos, aliada à sua meridionalidade, oferem ao Alentejo características Mediterrâneas e Continentais. A insolação tem valores bastante elevados, o que se reflecte na maturação das uvas, principalmente nos meses que antecedem as vindimas, conferindo-lhe uma perfeita acumulação de açúcares e de matérias corantes na película dos bagos. As vinhas localizam-se, na sua maioria, em substrato geológico de rochas plutónicas (granitos, tonalitos, sienitos e sienitos nefelínicos), sendo contudo de salientar, a diversidade de manchas pedológicas nas quais as vinhas são instaladas (nomeadamente manchas xistosas e argilo-calcárias). É igualmente de referir, que os melhores terrenos são eleitos para a cultura cerealífera e a exploração agro-pecuária, pelo que a vinha e a oliveira, dada a sua rusticidade, assentam nos solos com fraca capacidade de uso.
O porco é a base alimentar de todo o Alentejo. Os rojões à alentejana, as fêveras de porco na brasa e as migas, a açorda de coentros e poejos e o gaspacho fazem jus à cozinha tradicional desta região. Na doçaria recomenda-se o caricá (doce à base de ovos), o bolo de amêndoa do Convento da Vidigueira e o bolo podre."
(Descrição efectuada pelo grande escritor : Carlos Leite Ribeiro)

8 Comments:
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